E aí, vamos falar de Carnaval

Posted by RockCast - -

Uma das coisas que tem me irritado muito ultimamente (e quando digo "ultimamente", quero dizer nos últimos anos, não nos últimos dias) é o fato de ter se tornado "cool" falar mal de todas as coisas que existem no universo. Sejam elas boas ou ruins.

A questão não é só criticar, não é só fazer uma colocação interessante sobre o assunto, a questão é reclamar de qualquer coisa que venha a acontecer na sua frente. Seja ela física ou espiritual.

Ninguém pode mais ter uma opinião divergente, ninguém pode mais querer votar em certo candidato, ninguém pode mais, sequer, gostar de uma banda diferente de seu "gosto habitual". Ninguém pode mais nada, nessa cultura de massa crítica que se formou.

Acho que isso tudo provém da nova onda de "Stand Up comedy", onde todo texto (originalíssimo, diga-se de passagem) começa com "Eu não entendo...".

Amigo, se você não entende, não há porque argumentar o contrário (ou mesmo a favor). Você mesmo já começa invalidando totalmente o que vier a seguir. Afinal, por que raios de motivo eu daria atenção para alguém que está deixando claro que não entende nada do que está falando? É como eu dizer que não entendo nada de música e ainda assim querer debater que uma banda é melhor que a outra. Isso te torna um ignorante, antes mesmo de ouvirmos a sua opinião (o que só viria confirmar a nossa expectativa).

Você confiaria em um médico que começa o seu diagnóstico com "Olha, eu não entendo nada de câncer, mas eu acho que você tem um).

E assim criou-se essa nova moda de falar mal, sem nem mesmo entender. E o Carnaval, meus amigos, é só mais um dos alvos.

Vamos aos fatos. A maioria das pessoas que reclamam de "Odiar carnaval", é gente com idade o suficiente para viver um "carnaval" todos os dias. Logo, torna-se ilógico o fato de você comemorar no twitter toda sexta feira que você vai sair pra beber e pra "causar" na balada, enquanto no carnaval (data santificada e apoiada pelos políticos como um todo em que você, obrigatoriamente, FAZ isso) você fica reclamando e choramingando pelos cantos (Lê-se, no Twitter) que você ODEIA carnaval. Isso soa meio contraditório, alguém mais concorda?

O que faz o carnaval ser diferente das sextas feiras que você sai, se embebeda e pega várias garotas com o pretexto de "estar curtindo a vida"?

Eu sou adepto do fato de que se você odeia (ou ama) alguma coisa, exteriorizar isso não vai fazer você odiar (ou amar) mais do que você já o faz. Não é o fato de você dizer a alguém que ama que vai provar o amor que você sente. Muito pelo contrário, o fato de você respeitar e fazer o que pensa para a pessoa prova muito mais o seu amor do que ficar falando a cada 20 segundos "eu amo fulano". Isso, na minha opinião, é desespero para chamar a atenção.

Logo, se você ODEIA o carnaval, tanto quanto você exterioriza isso, pare um pouco de falar e comece a agir. O fato de você odiar uma festividade política (ou religiosa) não vai fazer com que ela deixe de existir, na melhor das hipóteses, vai fazer com que nenhum amigo seu queira se aproximar de você durante este período de festas, o que vai tornar seu carnaval ainda pior. Porque se tem uma coisa que eu aprendi é que os amigos podem tornar qualquer evento social uma maravilha.

Então, se você não quer curtir o carnaval, como todas as outras pessoas estão curtindo, por que você não cria um próprio plano de fuga pra você? E olha que nem estou falando de fugir para as montanhas ou de se entocar em uma casa de praia (o que seria suicídio, uma vez que todos farão isso). Estou falando de preparar o seu carnaval, ao seu modo e de seus amigos.

Lá em casa já virou rotina. Carnaval é época de juntar os amigos, ligar o Guitar Hero e tocar durante a madrugada toda, revezando entre os vocais, a guitarra e a bateria (baixo é sempre deixado de fora), enquanto comemos besteiras, falamos coisas engraçadas e nos divertimos muito mais do que os que estão lá fora, curtindo o carnaval per se.

Esse ano tem Dance Central, imagino que o carnaval será ainda mais divertido.

Mas isso não nos faz melhor do que ninguém. Não estou citando este fato para que você perceba como sou um gênio. Na verdade, se você se interessou em ler até aqui, é sinal de que você também tem seus planos para o carnaval e que, na pior das hipóteses, concorda com o que eu estou dizendo.

Infelizmente, as pessoas para quem este texto se destina já pararam de ler lá no segundo parágrafo, quando eu falei que não suportava elas.

No fim das contas, não transforme o Carnaval em um Natal com bundas. Não é o fato da festa ser política, de ter gente promíscua andando pela rua e nem o fato de que ninguém ali se importa que o presente de Natal será um filho, ao invés de um Xbox 360, que fará o Carnaval perder um pouco do que há de cultura nele.

Eu mesmo sou grande fã do desfile das escolas de samba. Não pelas bundas ou pela gente desnuda, mas pelo fato de que ali, bem em frente ao seus olhos (e entre uma bunda e outra), estão lhe contando uma história. E se eu sou o grande defensor das músicas que contam algum tipo de história, seria hipocrisia minha dizer que o carnaval não tem nada pra nos oferecer.

Pode não ser a melhor aula de história do mundo, mas eu tenho certeza que muita gente aprende muito mais ouvindo os narradores das agremiações do que todo o tempo em que passaram na escola sendo massacrados pelas narrações do Brasil Colônia.

Então, da próxima vez que você reclamar do carnaval, olhe para trás e repare em quanto você já se divertiu nesta festa e compare o quão sociável você é hoje e quanto já foi há alguns anos atrás. Vai que nessa comparação você percebe que o carnaval até te fez bem, até você mesmo começar a se fazer mal.

Agora me dêem licença que eu vou ali odiar alguma coisa que não me dê alguns dias de descanso em casa, porque eu não sou burro pra odiar algo que nos dê férias em pleno fevereiro (ou março). Como o dia da árvore, por exemplo.

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